Sobre um menino morto
Consigo compreender a revolta de pessoas ao argumentarem contra a marginalização da cidade do Rio de Janeiro, mormente o fato de que as punições para os delinqüentes não passam de atividades lúdicas e insensatas no esquema penitenciário do Brasil, consigo atinar a dor sentida por uma mãe que perde seu filho de forma brutal e atroz...o que não consigo compreender são as manifestações de solidariedade incongruentes que surgem no jornal hodierno. Nesta hora o brasileiro esquece da cerveja, do futebol, do carnaval que lentamente se aproxima e mostra não ter papas na língua, expondo seus desejos puramente fascistas. Amanhã esquecem de tudo: afinal, é carnaval e o dia precisa nascer feliz! Tenho vontade sincera de tomar os olhos de cada um e esticá-los bem fundo as pálpebras: vejam o mundo que criamos! É nosso! Não conseguem concluir que fazemos parte do jogo sujo que se instalou na humanidade? Leio milhares de depoimentos na coluna de leitores do Jornal e um bom número deles aponta para o valor da vida. Estão abismados: como a vida pode valer tão pouco? Eu respondo que nós mesmos temos, para com a vida, um comportamento não harmônico. Reclamamos que o viver humano não vale dinheiro que se pague, mas gastamos a nossa vida inteira atrás de dinheiro para ostentação, que chamamos de conforto. A televisão mostra casos de pessoas abastadas que vivem conflitos familiares no Leblon, onde belas mulheres e homens desfilam roupas de grife e ganham rios de dinheiro pra enxertar no povo esta vontade de ser alguém, de possuir...não tenho o intuito de proteger a marginalização. Sinto-me ameaçado. Não gosto de viver no Rio de Janeiro. Estou farto de atrocidades! Mas não posso julgar a pele dos injustiçados de forma fascista! É simples culpar aquele que nada tem...é fácil, muito fácil falar quando somos providos de condições que nos fazem exceler dos demais. É fácil julgar um indefeso na fila do SUS...difícil é compreender que alimentamos dia a dia o sentimento particularmente egóista do ser humano de, a qualquer custo, aparecer...
1 Comments:
Isso daí!
É fácil culpar um sistema todo, falar mal do governo, da situação, sabendo que todos nós somos a situação e o sistema.
E se solidarizar com a família é uma forma de tentar "pagar" na moeda mais barata pelo que acontece no mundo.
Acho que você entendeu, né?
E quanto ao Refração em Gotas, razaz? Ajeite :)
Postar um comentário
<< Home